No sul da Bahia, um modelo ancestral ganha status de solução moderna. O lançamento do projeto de conservação por meio da cacauicultura agroflorestal, com apoio da FAO, não apenas resgata a tradição da cabruca — ele reafirma uma verdade incômoda: não há futuro econômico possível sem a preservação da Mata Atlântica.
Defender a preservação desse bioma não é romantismo ambiental; é racionalidade econômica. A cabruca prova isso. Ao cultivar cacau sob a sombra de árvores nativas, produtores mantêm serviços ecológicos fundamentais: regulação do clima, conservação da água e manutenção da biodiversidade. Em regiões onde o desmatamento avançou, os efeitos são claros — solos degradados, produtividade instável e vulnerabilidade climática.
O novo projeto, com metas como restaurar 12 mil hectares e mitigar milhões de toneladas de gases de efeito estufa, mostra que produzir e preservar não são objetivos opostos. Pelo contrário: são interdependentes.
Uma crítica recorrente a essa visão é que sistemas como a cabruca seriam menos produtivos que monoculturas intensivas. Esse argumento ignora o longo prazo. Sistemas intensivos podem gerar ganhos rápidos, mas frequentemente esgotam o solo e aumentam custos com insumos. A cabruca, ao contrário, sustenta produtividade com menor impacto e maior resiliência climática.
Preservar a Mata Atlântica, portanto, não é frear o desenvolvimento — é impedir o colapso dele.
Por Redação
